sexta-feira, 26 de setembro de 2008

o silêncio no grito de todas as cores


para Mareike, com amor

Prestava atenção nos sons. Em todos os sons. No chiado intermitente das ondas que, feito um pedido de silêncio, feito indicador sobre os lábios, calava o espalhar de infinitos grãos de areia amassados pelos passos. No farfalhar das folhas secas deslocadas por algum bicho (lagarto? Cobra? Rato?) a uma distância segura do seu corpo. No vento suave que assoprava, nas pernas, um machucado inexistente. Nos gritos distantes de crianças que não eram as suas (porque não as tinha) e que chegavam mornos e curtos aos seus ouvidos (que estes sim, por serem parte inata do seu corpo e não algo que em seu corpo surgiria, os tinha). No crepitante ruído (que imagino, pois não os ouço. Os meus sons são outros) da pele crispada pelo sol. No piar de pássaros desconhecidos. Na voz da sombra que a abanava (que é diferente da voz abafada de lugares muito claros. Que é diferente da voz aguda dos lugares escuros). Prestava atenção nos sons porque tudo era música. Até o silêncio branco do sono era um silêncio composto por todos os sons, assim como o branco é o silêncio no grito de todas as cores. Dormia porque a música continuava. E, dormindo, desenhava com o corpo esguio uma nota nova na estranha partitura amarela e branca daquela cadeira de praia.

Beijos

5 comentários:

Mareike disse...

Ouvia a música da qual você faz parte, assim como eu... Aquele mundo, naquele momento, e nós!!!

Te amo!!

Sandra Knoll disse...

sempre lindo o que tu escreve!
beijos

Daniel Olivetto disse...

aaaaaaaaaaaaaaaaaa

eu quero sentar ali pra alguém escrever algo assim... humfff

saudade gigante de tu

Rafael Koehler disse...

linnnnnnnnnnnnnnnnnn......

"o branco é o silêncio no grito de todas as cores"

Greg, você é lin... escreve lin... me emociona lin...

lin...

bjs

Sarah Zewe Uriarte disse...

Lindo demais!!